A santíssima trindade da burocracia eleitoral brasileira ganhou um reforço de peso intergaláctico nesta semana. Quarenta e sete bispos católicos decidiram que o Reino dos Céus tem jurisdição direta sobre as planilhas do Tesouro e o segundo turno de 2026, convocando o rebanho para uma epifania cívica com fortes contornos de liberação de dízimo ideológico.
Do lado petista, a euforia com o manifesto episcopal só não foi maior porque a liturgia oficial exige modéstia litúrgica na hora de celebrar o apoio divino, fingindo que a benção veio puramente por mérito das diretrizes socioeconômicas e não por providência divina. Afinal, contar com a graça dos céus é um ótimo atalho burocrático para dispensar a explicação de onde vai sair o superávit primário.
Enquanto isso, a ala bolsonarista reagiu com a tradicional serenidade de quem foi escomungado no capricho, preparando uma contraofensiva de orações em redes sociais e decretando jejum obrigatório de coerência para os militantes. No altar da conveniência, vale tudo para colar no candidato a pecha de mártir da cristandade, mesmo que o histórico de reza do pretendente se resuma ao momento de assinar emendas parlamentares.
No fim das contas, o eleitor brasileiro vai à urna com o manual de instruções numa mão e o rosário na outra, rezando para que o santo eleito não decida canonizar também o imposto de renda e as maracutaias de campanha. Amém e que Deus nos acuda, porque o contador da paróquia já mandou avisar que o boleto da salvação vence no dia útil seguinte.
Dicas Práticas Para Não Enlouquecer com a Notícia
- • A Liturgia da Rasteira Quando o púlpito vira palanque e a hóstia é servida com viés partidário.
- • A Promessa de Papelão O paraíso fiscal prometido nos comícios tem taxa de administração celeste.
- • O Malabarismo Fiscal Milagre econômico é fechar as contas sem precisar canonizar o déficit.
- • O Boleto Soberano A absolvição dos pecados custa caro, mas o contribuinte parcela em doze vezes.
Um grupo de 47 bispos católicos de 19 estados brasileiros divulgou uma carta aberta sobre o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, criticando políticas de devastação associadas ao clã Bolsonaro e elevando o tom moral das discussões entre Lula e Flávio Bolsonaro nesta reta final de campanha.