Há quem acredite em duende, em papagaio que fala latim e em político que rasga o próprio bolso por puro amor à humanidade. Mas o brasileiro, esse bicho calejado que toma café requentado e sobrevive ao carnê das Casas Bahia, já conhece o cheiro de bondade requentada de perto. Quando o governo resolve abrir o cofre e soltar um pacotão de benesses justamente na bacia das almas eleitoral, até o periquito da praça sabe que o Papai Noel de Brasília tá querendo garantir é o emprego dele, e não o seu frango de domingo.
Segundo o instituto Quaest, que não é de ser profeta mas costuma acertar a feira, sessenta por cento da patuleia olhou para as medidas recentes do Planalto e deu de ombros com um sorriso amarelo: é puro oportunismo eleitoral, meu caro. É a velha história do agiota que te empresta o guarda-chuva no dia de sol e cobra o aluguel na primeira chuva forte. O governante jura que é altruísmo puro, que acordou chorando de dó do pobre trabalhador, mas a única coisa que chora mesmo é o orçamento público sangrando para virar palanque ambulante.
Do outro lado do balcão, a oposição assiste a tudo babando de inveja e rezando para o povo continuar com a memória curta de peixe betta. Afinal, criticar a boiada comendo grama alheia é moleza, o difícil é explicar para o eleitor o que eles mesmos fariam se estivessem sentados na cadeira estofada do poder — spoiler: exatamente a mesma coisa, mas com outro jingle na propaganda de TV. É um revezamento eterno de salvadores da pátria que entram salvando o país e saem salvos pelo foro privilegiado.
No fim das contas, a fatura dessa festa com o chapéu dos outros chega sempre no mesmo endereço: na sua mesa, junto com a conta de luz superfaturada e o extrato do cartão de crédito estourado. Enquanto o marqueteiro calcula os votos e o político ensaia a lágrima de crocodilo no espelho, o povão segue fazendo malabarismo financeiro para pagar o quilo do tomate. É o famoso teatro das sombras, onde o povo aplaude de pé, paga o ingresso caríssimo e ainda sai achando que ganhou brinde.
Dicas Práticas Para Não Enlouquecer com a Notícia
- • A Liturgia da Rasteira Amor ao povo que coincide milagrosamente com a abertura das urnas eletrônicas.
- • A Promessa de Papelão Cabeleira pintada, terno alinhado e um caminhão de promessas que derrete na primeira garoa.
- • O Malabarismo Fiscal A arte milenar de tirar dinheiro de onde não tem para botar onde dá voto.
- • O Boleto Soberano A única certeza na vida, além da morte e da mordida do leão na sua folha de pagamento.
Pesquisa Quaest divulgada em outubro de 2026 mostrou que 60% dos brasileiros que tomaram conhecimento das medidas recentes do governo Lula consideram as iniciativas com motivação eleitoral para ajudar na reeleição, enquanto 32% as veem como necessárias independentemente do calendário.