No hospício a céu aberto que chamamos carinhosamente de Distrito Federal, o planejamento de carreira não tem nada a ver com o seu cursinho técnico ou com a fila do Sine. Lá, a regra de ouro é simples: quanto mais a coisa desanda para o seu lado nas urnas, mais a República se mexe para te arrumar um tacho vitalício, com direito a gabinete refrigerado e café gourmet. Enquanto o cidadão tenta adivinhar se vai sobrar para o gás de cozinha no fim do mês, a nobreza brasiliense já joga o famoso 'jogo da sobrevivência institucional', que traduzido para o bom português significa: a dança das cadeiras dos salvadores da pátria.
Nesse tabuleiro de xadrez onde o peão sempre paga o pato, a grande cartada da vez envolve o exímio malabarista Rodrigo Pacheco e o intocável Davi Alcolumbre. Conta a lenda dos bastidores que, se o barco do governo afundar na eleição, o bom Pacheco pode acabar aterrissando diretamente na poltrona peluda do Supremo Tribunal Federal, numa manobra que faria qualquer mágico de circo mambembe pedir aposentadoria por inveja. É a velha história do 'perdeu, ganha': o sujeito toma um banho de sal grosso do eleitor, mas a recompensa por ter gesticulado bonito com a toga é uma vaga eterna na mais alta corte da nação. Quem não queria um RH desses na vida?
Do outro lado do balcão de negócios, o sempre precavido Alcolumbre já olha para o Tribunal de Contas da União como quem avalia um chalé na serra para passar a velhice. Afinal, com o fantasma de uma virada de mesa política rondando o Senado, a solução é garantir uma tômbola onde fiscalizar os outros vira profissão de fé e garantia de foro privilegiado até o fim dos tempos. É a engenharia reversa da democracia: o eleitor vai votar achando que está demitindo o fulano, mas na verdade está apenas promovendo o sujeito para um cargo onde ele vai fiscalizar o vento e receber em moeda nobre.
No fim das contas, essa ciranda de luxo nos lembra que a única coisa infinita no Brasil não é o universo, mas a criatividade da classe política para se manter mamando nas tetas do Estado. Não importa quem vença ou quem perca no domingo eleitoral, o resultado final é sempre o mesmo: a despesa da carruagem oficial é debitada direto no contracheque de quem acorda antes das seis, enquanto os donos do poder trocam de crachá VIP e celebram mais um acordo de cavalheiros regado a champanhe e verba de gabinete.
Dicas Práticas Para Não Enlouquecer com a Notícia
- • A Liturgia da Rasteira Perder a eleição na urna nunca foi problema para quem tem um amigo no tribunal.
- • A Promessa de Papelão O mandato é temporário, mas a boquinha de conselheiro é para sempre.
- • O Malabarismo Fiscal Trocar de cargo público é a única ginástica que esse pessoal pratica com gosto.
- • A Fatura Garantida Quem custeia o salário do juiz e do senador é o cidadão que financia a máquina sem ter direito à vaga.
Nos bastidores de Brasília, aliados políticos discutem cenários para o pós-eleição de domingo (25). Entre as hipóteses levantadas estão a indicação do ex-senador Rodrigo Pacheco para o STF em caso de derrota do governo, e a possível ida do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para o TCU, diante de um cenário eleitoral mais complexo.