Chegou o abençoado domingo de segundo turno em 2026, momento sublime em que o distinto eleitor brasileiro é convocado a exercer sua soberania entre duas visões de mundo igualmente apaixonantes: vender até as maçanetas do Palácio do Planalto para o primeiro fundo abutre que passar na praça, ou criar mais trezentas superintendências autônomas para garantir que a burocracia estatal respire com a ajuda de aparelhos ortopédicos.
De um lado do ringue, a cartilha liberal-nostálgica promete passar a régua em qualquer CNPJ público que oabrigar um bebedouro funcionando, sob a solene promessa de que a iniciativa privada vai gerir aeroportos, estatais e esquinas com a eficiência cirúrgica de um camelódromo clandestino. É a volta triunfal do 'Estado mínimo', desde que o mínimo em questão inclua isenções bilionárias e subsídios generosos para os campeões nacionais do andar de cima.
Do outro lado, a trincheira desenvolvimentista jura de pés juntos que o segredo da prosperidade universal reside em inflar o organograma oficial com diretorias técnicas, conselhos de paridade de gênero na siderurgia e injeções maciças de recursos em estatais estratégicas, provando que a salvação da pátria cabe sempre a um diretor nomeado por indicação partidária com salário de marajá e estabilidade intergaláctica.
No fim das contas, a polarização atinge o seu ápice estético: o cidadão é convidado a escolher se prefere pagar a sua conta de luz para um consórcio internacional com sede nas Ilhas Cayman ou para uma autarquia federal administrada por indicações do Centrão. Qualquer que seja o vencedor das urnas, a única certeza é que o boleto continuará com endereço certo e débito automático imediato na folha de pagamento do contribuinte.
Dicas Práticas Para Não Enlouquecer com a Notícia
- • A Liturgia da Rasteira O debate político reduzido a quem consegue prometer mais fantasias orçamentárias por minuto na televisão.
- • A Promessa de Papelão Planos de governo encadernados que servem perfeitamente para forrar a gaiola do periquito após a apuração das urnas.
- • O Malabarismo Fiscal A admirável arte de fingir que o déficit público desaparece se a gente trocar o nome da rubrica contábil.
- • O Boleto Soberano O único imposto que nunca sofre reajuste para baixo, independentemente de quem ocupe a cadeira presidencial.
Os eleitores brasileiros decidem neste domingo (25) o segundo turno da eleição presidencial de 2026, em uma disputa que opõe o programa de privatizações e enxugamento da máquina pública defendido por Flávio Bolsonaro à proposta de fortalecimento de empresas estatais e ampliação da atuação do Estado defendida por Luiz Inácio Lula da Silva.