A física quântica da malandragem eleitoral atingiu o seu limite termodinâmico na capital da República. O comitê de campanha de Flávio Bolsonaro, sob o comando desesperado do marqueteiro Duda Lima, bateu o martelo e tomou uma decisão cirúrgica de sobrevivência: desligar o wi-fi e revogar o crachá de Pablo Marçal. O ex-coach da prosperidade instantânea, que havia sido convocado como uma espécie de pajé corporativo para ensinar o herdeiro do clã a andar em círculos e intimidar o adversário no palco, foi sumariamente ejetado da cabine de comando antes que o estrago se tornasse irreversível.
O choque de realidade veio a galope após a tragicomédia do debate da Band. Flávio subiu ao estúdio munido de todo o repertório cênico de um seminário motivacional de três dias num hotel de Alphaville: encaradas de boxeador amador, caminhadas teatrais e um excesso de empáfia que fez as pesquisas qualitativas da madrugada acenderem todas as luzes vermelhas do painel. A ordem interna da cúpula do PL foi tão categórica quanto desesperada: 'Flávio, seja menos Pablo Marçal'. Descobriu-se, para surpresa de zero analistas sérios, que a receita de agressividade que rende engajamento no Instagram é a mesma que faz o eleitor indeciso mudar de canal em pânico.
Do lado do Palácio do Planalto, a correria da oposição para esconder seu mentor espiritual foi recebida com baldes de pipoca e um suspiro coletivo de alívio. Lula e sua equipe de marqueteiros profissionais, que já vinham suando frio tentando blindar o presidente de falar de improviso sobre rombo fiscal e alianças de balcão com o Centrão, agradeceram aos céus pela autodestruição do adversário. A política brasileira atingiu aquele estágio sublime em que uma campanha não ganha por apresentar propostas concretas para o país, mas simplesmente por conseguir trancar o seu guru mais histriônico no armário três dias antes da votação.
Resta à sociedade assistir ao encerramento dessa temporada do circo oficial. De um lado, a corte governista reza para que seu líder não cometa sincericídios orçamentários na reta final; do outro, a tropa da oposição tenta desinstalar o aplicativo de autoajuda do cérebro do candidato antes que a urna eletrônica encerre o espetáculo. No fim das contas, a única mentalidade que continua bloqueada sem direito a mentoria vip é a do contribuinte, condenado a financiar o fundo partidário bilionário que sustenta esse festival de ilusionismo.
Dicas Práticas Para Não Enlouquecer com a Notícia
- • A Liturgia da Tomada Puxar o microfone do coach de autoajuda quando o gráfico de rejeição bate no teto.
- • O Destravamento Inverso Subir no palco prometendo a glória e descer direto para a ala dos memes de internet.
- • O Protagonismo de Empréstimo Gesticular como se fosse o dono da chapa até a segurança do partido barrar na porta.
- • A Fatura do Coach Os cursos de prosperidade custam fortunas, mas o vexame no estúdio saiu 100% gratuito.
Após a repercussão negativa e o aumento dos índices de rejeição identificados em pesquisas qualitativas após o debate da Band, a cúpula da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) decidiu afastar o empresário e influenciador Pablo Marçal da preparação estratégica para o debate da TV Globo. O comportamento combativo de Flávio, inspirado nos métodos de Marçal, gerou desconforto entre coordenadores e marqueteiros do PL, que orientaram o senador a adotar uma postura mais propositiva e moderada na reta final do segundo turno.