Minas Gerais, terra do pão de queijo e da desconfiança mineira, resolveu ser o espelho do Brasil. E, convenhamos, que espelho mal-assombrado a gente arrumou! É um tal de pêndulo pra lá, pêndulo pra cá, que o eleitor mineiro já está mais zonzo que participante de gincana em final de ano. Enquanto a política nacional vira um cabo de guerra entre o petismo e o bolsonarismo, o mineiro faz a egípcia e divide as urnas como quem divide a conta do bar no final do mês: ninguém quer pagar, mas todo mundo quer beber do mesmo barril.
Do lado da direita, o PL e seus agregados prometem mundos, fundos e que o café vai custar um centavo. Do outro, o PT insiste naquela liturgia da redenção que, vira e mexe, acaba em fila de posto de saúde. É uma polarização tão nutritiva quanto discurso de posse em plenário vazio: ocupa o tempo, mas não sustenta a realidade de ninguém. O político chega, faz cara de quem ama queijo Canastra, tira foto com a mão no peito e, depois de eleito, aterrissa em Brasília para ratear ministério e emenda secreta com quem chamou de inimigo na véspera.
O problema é que esse 'espelho' mineiro reflete exatamente o que o Brasil tem de mais caricato: a gente adora escolher um capitão do mato ou um maestro da esquerda, mas esquece que o palco é o mesmo e o ator coadjuvante é sempre o mesmo cidadão comum. É impressionante como as pessoas conseguem brigar no grupo de família, bloquear o primo que vota no 'outro' e, no final, terminar o dia pagando o mesmo combustível caro e o mesmo IPTU que não volta em asfalto.
No fim das contas, essa dança das urnas mineira é a consagração do teatro de conveniências. O pêndulo pode até oscilar entre a esquerda e a direita, mas a engrenagem que dita as regras em Brasília continua lubrificada pelo mesmo orçamento bilionário. Enquanto os cabos eleitorais disputam a cor da faixa presidencial, o contribuinte financia o espetáculo sem ter direito sequer à meia-entrada.
Dicas Práticas Para Não Enlouquecer com a Notícia
- • A Liturgia da Rasteira Promessa de campanha é igual feriado em domingo: a gente espera, mas não acontece.
- • A Promessa de Papelão Tão consistente quanto nota de três reais e tão duradoura quanto o amor de candidato em comício.
- • O Malabarismo Fiscal A arte de enfiar a mão no bolso do contribuinte e chamar de 'ajuste necessário'.
- • A Certeza da Fatura O pêndulo oscila, os palácios mudam de dono e o imposto descontado na fonte permanece eterno.
Minas Gerais é historicamente tratada como um 'estado pêndulo' e um 'espelho' do cenário eleitoral nacional brasileiro. O resultado das últimas eleições refletiu a forte polarização entre o campo da direita, liderado pelo PL e Republicanos, e o campo da esquerda, liderado pelo PT, reproduzindo localmente o embate nacional entre as forças políticas que apoiam Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.