A liturgia democrática do último dia de propaganda eleitoral na televisão transformou-se em um concurso de ficção científica de alta voltagem, onde os telespectadores foram convidados a escolher entre a Suécia imaginária do Palácio do Planalto e o apocalipse iminente anunciado pela oposição.
Do lado governista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu ao palanque eletrônico para atestar, com a serenidade de quem não paga boleto no fim do mês, que o país vive um momento de esplendor institucional e fartura contábil, bastando ao cidadão ignorar a fatura do supermercado para desfrutar plenamente dessa epifania estatística.
Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro vestiu o figurino do inconformismo metódico, prometendo uma mudança radical que, curiosamente, exige apenas que o eleitor confie cegamente na promessa de que o passado recente nunca aconteceu e que o fundo partidário bilionário é apenas um detalhe estético na luta contra o sistema.
No fim das contas, entre a continuidade triunfalista de um lado e a renovação garantida por velhas fórmulas do outro, restou ao eleitor brasileiro a certeza reconfortante de que, independentemente da urna, a única coisa que continuará rigorosamente inalterada é a taxa de juros e a criatividade dos marqueteiros.
Dicas Práticas Para Não Enlouquecer com a Notícia
- • A Liturgia da Rasteira Promessas de palanque que evaporam antes mesmo da apuração das urnas.
- • A Promessa de Papelão O milagre econômico narrado no horário nobre que nunca chega à feira.
- • O Malabarismo Fiscal A arte de gastar o dinheiro público explicando que o sacrifício é para o seu bem.
- • O Boleto Soberano A única certeza constitucional que sobrevive a qualquer governo eleito.
Nesta sexta-feira (23), Lula e Flávio Bolsonaro protagonizaram o último dia de propaganda eleitoral gratuita na TV para o segundo turno da eleição presidencial de 2026. Lula defendeu a continuidade de seu governo alegando melhora econômica, enquanto Flávio apostou no discurso de mudança e mobilização de eleitores. A campanha petista também mirou o histórico do adversário e apontou riscos de cortes em programas sociais.